Ah, eu perdi o momento. Deixei passar. E na hora nem percebi. Foi hoje, nesse instante, aliás, no instante anterior quando pensava sobre o que escrever, que me dei conta: havia passado. Apenas tomo ciência do fato. Escrevo e arquivo. Mais uma coisa que me é. O que me preocupa agora é o silêncio dele depois de toda aquela eloquência desvairada. Fiquei esperando que continuasse, mesmo com minha recusa. E nada. Ele calou. E nesse café, onde sempre nos encontrávamos - eu sedento por uma cerveja e ele por uma tônica, ninguém querendo café - eu passo minhas tardes na esperança de que ele apareça já que faz parte do caminho dele casa-trabalho-casa. E nada.
Nada tem sido frequente na minha vida. E tudo bem, posso viver com isso, beijos e alguém me liga, por favor, que ficar sozinho às vezes dói. Será que diante do meu NÃO nada polido, ele pára e analisa as circunstâncias nas quais nos conhecemos: eu, com o melhor amigo dele, dando em cima dele na cara dura sabendo que não haveria resistência, só pela tentação de fazer algo diferente, na época, sem gostar realmente de ninguém. Acho que nem de mim eu gostava ou não teria dado início a tudo aquilo.
São caminhos estranhos esses que tomamos. E nem sempre escolhemos as curvas certas. Sei lá, eu penso, sei lá.