segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Ele não pensou duas vezes. Diante do meu sorriso, respondeu com outro sorriso, mais solícito que o meu, e disse:
- Vamos sair daqui?

domingo, 8 de novembro de 2009

Chuvinha chata

Gosto de cerveja na boca;
Poetas, escritas, arritmias
Todo esse plural que disfarça
o meu singular

Jeito de querer mais

Quando eu te vi
sabia ser
Quase todo o retrato:
eu te converso
nesses dias cheios
eu te sonho
nessas noites
não dormidas

As cartas estão em cima
da mesa:
para todos que importam
Selo colado
no envelope, falta
o carimbo.
Jeito discreto de perder.

sábado, 24 de outubro de 2009

Saudade.

Saudade. Saudade de você, para quem escrevi, por quem vivi, pelo qual chorei. Saudade de mim, que nem sempre estou por perto. Saudade de um tempo. Saudade de um cheiro. Saudade, saudade, saudade. E acima da saudade, a certeza. Certeza da felicidade.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Certeza e dúvida.

A gente demora muito tempo para perceber aquilo que deveria ter adivinhado desde o início. Por quê?

quarta-feira, 19 de agosto de 2009


No final, ele sempre me perguntava para onde eu ía. E minha vontade sempre foi dizer que se eu pudesse escolher iria para a casa dele, para a vida dele, para o corpo dele e nunca mais saía, recluso na paixão que sentia. Mas, covarde, eu nunca disse. E um dia, ele parou de perguntar.

Ah, eu perdi o momento. Deixei passar. E na hora nem percebi. Foi hoje, nesse instante, aliás, no instante anterior quando pensava sobre o que escrever, que me dei conta: havia passado. Apenas tomo ciência do fato. Escrevo e arquivo. Mais uma coisa que me é. O que me preocupa agora é o silêncio dele depois de toda aquela eloquência desvairada. Fiquei esperando que continuasse, mesmo com minha recusa. E nada. Ele calou. E nesse café, onde sempre nos encontrávamos - eu sedento por uma cerveja e ele por uma tônica, ninguém querendo café - eu passo minhas tardes na esperança de que ele apareça já que faz parte do caminho dele casa-trabalho-casa. E nada.

Nada tem sido frequente na minha vida. E tudo bem, posso viver com isso, beijos e alguém me liga, por favor, que ficar sozinho às vezes dói. Será que diante do meu NÃO nada polido, ele pára e analisa as circunstâncias nas quais nos conhecemos: eu, com o melhor amigo dele, dando em cima dele na cara dura sabendo que não haveria resistência, só pela tentação de fazer algo diferente, na época, sem gostar realmente de ninguém. Acho que nem de mim eu gostava ou não teria dado início a tudo aquilo.

São caminhos estranhos esses que tomamos. E nem sempre escolhemos as curvas certas. Sei lá, eu penso, sei lá.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Querido.




Alguém para quem eu fosse. Ah, eu queria. Que durasse uma semana ou duas, um mês ou um ano, qualquer período que ficasse viva a chama. Sentir mais uma vez a vulnerabilidade, a sensação de que a qualquer momento posso ser abatido e destroçado, principalmente se o telefone não tocar na hora combinada ou se ele atrasar dez minutos no horário em que marcamos.

Passar tardes inteiras imaginando o futuro, em tantas vertentes que mil vidas seriam pouco. Ah, eu queria. E sentar em qualquer lugar onde eu pudesse enxergar o horizonte e não enxergar nada além do futuro. Cantaria sonhos e madrugadas.

E quem não quer a pulsação vermelha da paixão?